sexta-feira, 2 de outubro de 2009

saúde da criança


"Do óvulo fecundado à aquisição de plena autonomia, sintetizada na plena inserção social através do trabalho e da alteridade encontrada na união conjugal, o ser humano trilha um longo caminho, chamado de infância"(BIEHL, 1992).
A infância é uma das fases da vida onde ocorrem as maiores modificações físicas e psicológicas. Essas mudanças caracterizam o crescimento e desenvolvimento (CD) infantil, e precisam ser acompanhadas de perto. O acompanhamento do CD indica as condições de saúde e vida da criança, visando a promoção e manutenção da saúde, bem como intervindo sobre fatores capazes de comprometê-la (SIGAUD, VERÍSSIMO, 1996).
O Ministério da Saúde desenvolveu um Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (PAISC), estabelecendo um calendário mínimo de consultas para o atendimento de crianças de 0 a 5 anos: 1mês, 2meses, 4meses, 6meses, 9meses, 12meses, 18meses, 24meses, 3anos, 4anos e 5anos (SIGAUD, VERÍSSIMO, 1996).
A periodicidade pode ser alterada em casos de crianças com até 6meses cujo peso ao nascer tenha sido inferior a 2500g ou que já tenha sido desmamada, com déficit de crescimento ou problema de desenvolvimento. O acompanhamento de CD deve ocorrer sempre que a criança for ao serviço de saúde, seja para puericultura, imunização ou consulta de morbidade (SIGAUD, VERÍSSIMO, 1996).
O MANUAL DA CRIANÇA (1996) escrito pela secretaria de saúde da cidade de Campinas prevê consultas mensais até 7meses, 9meses, 12meses, 15meses, 18meses, 24meses, 3anos, 4anos e 5anos, sendo intercaladas consultas médicas com consultas de Puericultura realizadas pela enfermagem.
Durante uma consulta, a avaliação do CD é feita utilizando-se gráficos de crescimento, observação, histórico do desenvolvimento, além de levantamento e atendimento às preocupações dos pais. Em cima desses fatores levantados deve-se realizar educação em saúde.
SIGAUD e VERÍSSIMO (1996) recomendam que a enfermeira precisa familiarizar-se com as características do grupo etário ao qual pertence a criança a ser observada:
solicitar aos pais que evitem interferir nas tentativas da criança de cumprir uma tarefa, iniciando pela observação de tarefas próprias da idade anterior à da criança;
solicitar aos pais que informem o item quando não for possível a observação direta;
registrar o desempenho da criança;
relacionar as atividades sugeridas apropriadas à criança e discuti-las com os pais (SIGAUD, VERÍSSIMO, 1996).
Enquanto educador em saúde, o enfermeiro compartilha com a criança e a família informações e conhecimentos quanto à avaliação de enfermagem da situação da criança; reforça condutas adequadas, ao desenvolvimento da criança, dos familiares; e discute propondo alternativas àquelas que julgar inadequadas. Apresentar informações sobre CD e necessidades infantis, bem como informações que favorecem o CD da criança (SIGAUD, VERÍSSIMO, 1996).
As orientações abrangem características do CD, alimentação (quantidade, qualidade e hábitos), higiene, sono, brincadeiras e estimulação, imunizações, formas de comunicação e relacionamento com a criança. SIGAUD e VERÍSSIMO (1996) entendem que o enfermeiro é o profissional de saúde em condições de desenvolver as ações de acompanhamento do CD, uma vez que tem conhecimento acerca do processo de CD e das necessidades da criança bem como sobre as formas de atendê-las.
Entretanto, no desempenho da função do enfermeiro, não basta técnica e afeição pela criança, mas também é necessário um "sentimento de infância, assim definido por considerar a criança sujeito de sua história e plena de direitos, nos quais ressalta o direito ao respeito, à liberdade e à dignidade"(BIEHL, 1992).
Enfim, o CD da criança precisava ser visto holisticamente; uma vez que os processos intelectuais-cognitivos ocorrem vinculados aos processos afetivo-motivacionais (TUNES, 1992). Porém, como consequência da visão holística do CD, estes precisavam ser vistos como processos interatuantes e para tanto seria necessário rediscutir e reformular os indicadores do desenvolvimento, elaborando indicadores que dessem conta da influência mútua dos processos biopsicológicos que guardam entre si.

SAÚDE DA CRIANÇA

No século passado as crianças eram consideradas instrumentos de produção e por isso importava que as doenças fossem tratadas adequadamente para que as crianças pudessem voltar logo ao trabalho. Era comum que as crianças dos campos fossem tratadas por suas famílias ou um vizinho experiente, as crianças negras por seus donos, se estes estivessem dispostos a providenciar; e as índias, conforme as tradições de cada tribo. Existiam alguns médicos andarilhos, com suas várias formas de charlatanismo (WHALEY; WONG, 1989).
Apesar de não existirem estatísticas de mortalidade do período colonial, as doenças epidêmicas que mais matavam nos Estados Unidos incluíam varíola, sarampo, cachumba, varicela, difteria, febre amarela, cólera e coqueluche. Além destas pode-se citar a tuberculose, as doenças nutricionais e os acidentes (WHALEY; WONG, 1989). Vale ressaltar que até hoje em países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil, essas epidemias, com exceção da varicela, continuam ocorrendo. Somente na última metade do século XIX iniciou-se o estudo da pediatria, sob a influência de um médico nascido na Prússia, chamado Abraham Jacobi. Nesta mesma época, passou a ocorrer uma crescente preocupação com o bem estar social das crianças. Trabalho realizado por Lillian Wald (1867-1940) proporcionou efeito de longo alcance para a saúde da criança e Enfermagem Pediátrica. Wald iniciou o serviço de enfermeiras visitadoras na cidade de Nova Iorque e cooperou no estabelecimento da primeira Escola de Enfermagem de tempo integral (WHALEY; WONG, 1989).
Hoje, a Pediatria é vista como um ramo da Medicina que atende o indivíduo durante o período da fecundação à puberdade. Este atendimento está dividido em duas atividades a Puericultura que trata da parte de prevenção, e a Clínica Pediátrica, que é curativa (Alcântara Apud MARCONDES, 1988). Sendo assim, a enfermeira possui atuação direta em ambas atividades, pois seu propósito é promover a prevenção de doenças ou lesões (através de trabalho educativo com os familiares), além da proteção e assistência às crianças.
Segundo Sigaud e Veríssimo (1996), para que a assistência de Enfermagem à criança e sua família seja adequada, há a necessidade da detecção do conhecimento sobre crescimento e desenvolvimento. Este saber irá possibilitar à enfermeira: "avaliar a criança quanto ao crescimento, desenvolvimento, necessidades e riscos à saúde; compreender a criança, sabendo o que esperar dela em cada faixa etária; planejar, prestar e avaliar cuidado considerando suas necessidades relativas ao desenvolvimento; auxiliar os pais a compreenderem melhor as crianças e, desse modo, proporcionarem a ela atenção adequada; orientar a equipe de Enfermagem para prestar uma assistência global; atuar de modo mais efetivo, o que trará maior satisfação ao enfermeiro."
O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8069 de 13 de julho de 1990 art. 2º, considera para o efeito dessa lei, "criança é toda pessoa de zero a doze anos de idade incompletos".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009





PROMOÇÃO DA SAÚDE DO IDOSO.

Para que possamos compreender a importância da atividade física na promoção da saúde do idoso é necessário analisarmos a correlação entre atividade física e saúde na população humana em geral.
Atividade física sistemática sempre esteve ligada à imagem de pessoas saudáveis e vigorosas. Durante muito tempo coexistiram duas interpretações para a associação de saúde com atividade física. Alguns imaginavam que pessoas geneticamente privilegiadas seriam mais propensas à atividade física por apresentarem constitucionalmente boa saúde, vigor físico e disposição mental. Outros acreditavam que a atividade física poderia ser o estímulo ambiental responsável pela ausência de doenças, boa aptidão física e saúde mental. A literatura científica atual permite concluir que a verdade aparentemente associa as duas hipóteses. Em todos os estudos populacionais sempre existem os indivíduos que se afastam da média, quaisquer que sejam os parâmetros analisados. Pessoas geneticamente privilegiadas sempre existiram e são estas pessoas que se destacam nas diversas atividades humanas. No caso da atividade física, embora nem todos possam ou queiram destacar-se como modelos de desempenho, existe hoje documentação científica de que as pessoas ativas diminuem a probabilidade de desenvolverem importantes doenças crônicas, e melhoram os seus níveis de aptidão física e disposição mental.
Estudos populacionais criteriosos permitiram estabelecer relações de causa e efeito entre atividade física e a menor incidência de algumas doenças, destacando-se a doença coronariana, a hipertensão arterial, diabetes do tipo II, obesidade, osteoporose, neoplasias do cólon, ansiedade e depressão. Alguns estudos associam pouca atividade física com altas taxas de mortalidade por todas as causas, e estima-se que 250.000 mortes por ano nos Estados Unidos da América poderiam ser evitadas por atividade física habitual. Particularmente com relação à doença coronariana critérios epidemiológicos clássicos para associação causal foram atendidos:
Consistência: os estudos quase que invariavelmente associam pouca atividade física com fatores de risco para doença coronariana.
Força: o risco relativo de doença coronariana aumenta 1.5 a 2.4 vezes nas pessoas inativas, níveis semelhantes aos observados para a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial e o tabagismo.
Seqüência temporal: a inatividade física tem sido constatada anteriormente ao estabelecimento da doença coronariana.
Dose resposta: a maioria dos estudos demonstram que a incidência de doença coronariana aumenta na medida em que a atividade física diminui.
Coerência: vários mecanismos conhecidos explicam os efeitos da atividade física na redução da incidência da doença coronariana.
Alguns dos efeitos salutares da atividade física são o aumento do HDL-colesterol, a redução dos triglicerídeos, redução da pressão arterial e da tendência à arritmias pela diminuição da sensibilidade à adrenalina, redução da agregação plaquetária e estímulo à fibrinolise, aumento da sensibilidade das células à insulina, estímulo ao metabolismo dos carboidratos, estímulo hormonal e imunológico, redução da gordura corporal devido ao maior gasto calórico e tendência à elevação da taxa metabólica pelo aumento de massa muscular.
Aspecto relevante é que esses benefícios parecem ser comuns à qualquer tipo de atividade física, entendida como contração muscular, geralmente levando ao movimento e sempre com gasto calórico. Assim sendo, são esperados os mesmos efeitos salutares advindos do trabalho braçal, das diversas modalidades esportivas, do lazer com atividades físicas e dos programas sistematizados de condicionamento físico. Qualidades de aptidão como coordenação, velocidade, força, flexibilidade, potência, resistência e parâmetros de condição aeróbia são estimuladas de forma diferente pelas diversas formas de atividade física, mas esses parâmetros não se relacionam especificamente com a qualidade ou magnitude dos efeitos salutares obtidos. Desta maneira, as atividades físicas distinguem-se pelo tipo e grau de aptidão estimulada mas não pelos efeitos na saúde das pessoas. O único parâmetro que mantém proporcionalidade com os efeitos salutares é o gasto calórico das atividades, embora a relação não seja constante. Em outras palavras, quanto mais calorias forem gastas em atividade física habitual maiores serão os benefícios para a saúde, mas as maiores diferenças na incidência de doenças ocorrem entre os sedentários e os pouco ativos. Entre estes e as pessoas mais ativas, a diferença não é grande. O mínimo de atividade física necessário para reduzir a incidência de doenças é de 200 Kcal/dia em média. Assim sendo, atividades mais intensas podem ser realizadas em períodos mais curtos e menos freqüentes, enquanto que atividades menos intensas precisam ser mais prolongadas e/ou mais freqüentes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009